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barba cabelo e gemidos

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CRESPÚCULO

 

 

A M O R

 

                         A CASA NA COLINA

 

6 – POEMA DE AMOR

 

Luís descansou algum tempo e começou a caminhar. Sem destino, foi guiado pelo pensamento que encontrou um pequeno grupo de madressilvas, com as flores chamando as abelhas que voavam sugando o néctar. Ficou fascinado, para um citadino não seria fácil reconhecer a beleza do trabalho das abelhas operárias, duma sociedade perfeita.

Avançou, escorregou e caiu na água da pequena lagoa que as madressilvas escondiam. Ficou encharcado, voltou para o local de onde partira e deitou-se aproveitando o sol que, mesmo ao entardecer dum dia de Abril, lhe dava o conforto que há tanto procurara. Precisava de calor, no corpo e no coração. Afinal, quando esperava o sinal de partida, encontrou prazer, ternura e amor. Tremeu pensando: Estarei sonhando?

Joana passou ao entardecer e regressaram a casa. Em silêncio.

De manhã, enquanto tomavam o pequeno-almoço Joana desafiou-o:

- Hoje vamos mudar o caminho. Vai estar um dia lindo e eu preciso de ver o mar. Será uma hora de motoreta, por caminhos que eu conheço. Quer fazer-me companhia?

Será uma hora de viajem aos solavancos, utilizando caminhos pouco utilizados e chegaremos a uma praia, pequena, escondida entre dois rochedos.

“- Claro que serei o seu companheiro feliz, mas desajeitado com os equilíbrios a que terei de me habituar. Abraçado a uma mulher que tanto me deu, aceito viajar até ao fim do mundo.

 Foi uma viajem que Luís nunca mais esqueceria. Foi de mãos dadas que percorreram a praia.

O som das ondas que lhe acariciava os pés, ouvindo a melodia do vento sereno e calmo, Luís sentiu que aquele silêncio lhe perturbava os sentidos. Sentou-se na areia, fixou o olhar no infinito e assim ficou enquanto Joana se despia e mergulhava nas ondas.

Foram momentos em partilharam silêncios, desejos e dor. Sentiam nascer e crescer uma cumplicidade e o desejo de partilha. Não foram precisas palavras, nem gestos ou olhares. Eles sentiram a angústia de uma vida sofrida.

Quando regressaram a casa, em silêncio, deixaram perder o encanto daquele dia junto ao mar.

Afinal, o medo vencera.

 

Luís subiu para o quarto e pressentia uma noite desesperada. Ah se eu pudesse voltar a viver um grande amor, exclamou com um suspiro. E a imagem que lhe ocupava a cabeça era a de Joana, com os seus olhos tristes e os seus silêncios.

Sabia e sentia que podia dar todo o amor do mundo, mas porquanto tempo?

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