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barba cabelo e gemidos

barba cabelo e gemidos

CRESPÚCULO

                                        A M O R

 

                            A CASA NA COLINA

 

 

5 – POEMA NÚMERO 8

 

 

 

Aquele momento, foi o encontro de dois corações desesperados. Foi uma vertigem que passou como uma nuvem perdida. Com o silêncio como começou assim se escondeu.

Joana saiu correndo. Luís ficou sentado, controlando as emoções.

Quem diria que eu, desiludido na vida, fugindo à procura de um lugar calmo para viver o resto dos dias, passados três do início do caminho, iria viver um momento tão emotivo, tão apaixonado.

Eu, pensava ele, que já havia esquecido o amor e o sexo, entreguei-me como se fosse o primeiro dia, do primeiro amor.

Ficou no lugar onde ainda sentia o calor e o cheiro daquela mulher e assim dormiu. Acordou como se fosse dum sonho. A lua já ia alta quando despertou e desceu para o quarto que Joana lhe havia destinado. E dormiu, embalado numa nuvem que se havia colado ao corpo.

Acordou cedo, barbeou-se, tomou um duche rápido, a água estava mesmo fria, limpou-se com energia e sentiu de novo o calor. Vestiu uns calções e uma camisola leve, calçou ténis e desceu.

Joana não estava na sala, mas tinha deixado uma chávena, pão e manteiga e no fogão a cafeteira que ainda fumegava. Serviu-se, generosamente de café, comeu uma fatia de pão com queijo, e sentiu que a felicidade chegara.

Sentia-se leve e sedento de companhia. A noite, aquela primeira noite, seria o prenúncio dum verão escaldante, talvez o maior e mais intenso. Até quando? Ah isso não sabia nem queria saber. Seria até ao fim.

Ouviu o ruído da motoreta, saiu à rua e Joana já o esperava sentada ao volante e avisando:

 

- Hoje está um dia de sol que me desafia a ver as árvores a florir, o trigo a nascer, o canto dos pássaros, enfim a Natureza é a minha confidente e companheira. Convido-o para ficar a conhecer o meu mundo mas ficará num local à sua escolha e eu irei fazer o meu trabalho. Levo um farnel para si e de for do seu agrado, traga um livro, daqueles que eu vi no seu saco de viajem, e espere por mim.

Luís voltou a casa, abriu o saco dos livros e escolheu o livro que poderia ser a história da sua vida. Vinte Poemas de Amor e uma Canção desesperada. Auto, Pablo Neruda.

Com os solavancos pelo caminho, Luís sentiu o mesmo desejo que perfumara a noite que não esquecera. Ele bem sentia a pele macia da companheira, por baixo dos seios soltos. Isso excitou-o como há muito tempo se não sentia, e fazia-o desejar que a viajem fosse até ao fim do mundo.

Mas Joana parou à sombra de uma velha oliveira e explicou:

“- Esta oliveira marca a separação de três propriedades. Naquela encosta que se vê à esquerda, plantei um olival novo. São quatrocentas oliveiras plantadas há dois anos e que são regadas num sistema gota a gota. Pertencem-me e eu trato-as como se trata um filho. Dia sim, dia não, faço-lhe uma visita, falo com elas, limpo algumas ervas e sento-me numa pedra que me permite espraiar os olhos pelos campos e beber a magia do meu Alentejo. Esqueço as desventuras e os desgostos, porque como Luís deve calcular, também os sofri. Aprendi a viver a tranquilidade e a beleza da natureza e as oliveiras que plantei com suor, dar-me-ão os frutos que me ajudarão a enfrentar o futuro.

A seara que se estende daqui até aquele monte, e indicou uma elevação bem distante é minha e de meu irmão. Foi a herança que recebemos dos nossos Pais. Cultivamos o trigo ou outro cereal conforme o mercado ou se o ano for seco ou chuvoso. É o Manuel quem toma as decisões. Este ano, como choveu bastante semeamos trigo e é de esperar uma boa colheita.

Os terrenos que não estão cultivados são de pouca qualidade, embora seja neles que construímos duas pequenas barragens de terra, guardando a água das chuvas e de um pequeno regato que por ai corre. É uma zona pedregosa, cheia de flores selvagens, com o cheiro da esteva e da madressilva. Passo muito do meu tempo, estendida numa rocha, molhando os pés na água, e ouvindo o chilrear da passarada que aqui faz os seus ninhos. Escolha um lugar de que goste, e demorarei tempo mas no final do dia passarei para o levar. Parou a motoreta, indicou ao companheiro a árvore que serviria de local para o encontrar no regresso, Luís desceu, caminhou e sentou-se na sombra do pinheiro. Abriu o livro para ler o poema 8. Amor, Amor,

 

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