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barba cabelo e gemidos

barba cabelo e gemidos

A MÁQUINA DOS SONHOS

Fui sempre, desde que me conheci, um ouvinte atento, embora muito cioso da minha independência. E foi assim que permaneci incólume aos acontecimentos mediáticos, aqueles que os jornais ou as televisões nos tentam vender, não os jornalistas que deixaram de exercer a sua imprescindível missão de informar e que se deixaram dominar pela máquina. Nem sei porque escrevo estas palavras mas desconfio que mesmo sem querer, acabei por me deixar infetar pelo vírus do espetáculo de alguns acontecimentos que, não sendo recentes ou sequer inabituais, ocuparam a primeira linha do dia-a-dia dos portugueses sempre ávidos de encontrar responsáveis pelo desencanto das suas vidas sem sentido. E assim o meu sono foi perturbado por imagens que se encandearam e deixaram marcas mas que, pelo menos, avivaram recordações. Regressei aos anos da minha juventude, aquele tempo em que ir ao barbeiro cortar o cabelo e escanhoar a barba ainda pouco atrevida, significava o acesso à agência de informações que qualquer barbeiro era detentor. O sono não foi o repouso que o meu cansaço exigia mas o ruído infernal duma máquina que se repetia. Não me é habitual recordar os sonhos e os pesadelos. Mas por qualquer razão que não sei explicar, consigo relembrar uma parte do sonho e ligá-lo a uma conversa tão antiga, cheia de sabedoria popular, do meu barbeiro de juventude. E vou contar: “ Fui convidado a visitar um palácio, o nome não fixei, no qual era apresentada uma galeria que expunha retratos de gente importante, políticos e não só, que fizeram a nossa história mais recente. Ao percorrer o longo corredor, dando pouca atenção aos retratos, olhei com mais atenção uma foto de alguém de quem eu sentia particular desprezo. Segui em frente e ao encontrar o guarda perguntei-lhe? -“Como é que aqui continua exposto o retrato dum filho .. ….?” “Qual deles perguntou o guarda? E o sonho acabou naquele momento e a máquina acordou. Dos confins da minha memória saltara a imagem do meu antigo barbeiro que contara, por volta dos anos 80, uma cena semelhante, passada durante uma visita do novo “czar” aos corredores do seu novo palácio em Moscovo. Coisas de outro tempo, mas será que a pergunta estará desatualizada? Afinal, será tanto tempo assim?

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