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barba cabelo e gemidos

barba cabelo e gemidos

...

CRESPUCULO

A luz da manhã demora a romper as trevas. Sinto-me perdido, foi um sono entre o riso e o choro. Afinal tudo o que sonhei e vivi.

Nasci no verão de 42, um ano difícil, duro, como todos eles, naquele tempo de guerra. Nasci numa casa do Alentejo, de gente pobre, onde o pão era o fruto da terra regada pelo suor da família. Apesar do trabalho, esses dias deixaram recordações que me acompanharam.

A guerra colonial foi, também, uma escola para a vida. Nela aprendi a respeitar os direitos dos mais fracos e a assumir responsabilidades que nunca enjeitei. Era isso que tinha prometido aos soldados que comigo atravessaram a selva de África. Todos voltaram às suas terras. Eu aprendi mais uma lição, que guardei. Afinal, eu:

                   Fui guardador dos sonhos, que sonhei

                           E dos momentos que vivi.

                   Guardei memória do que amei

                   Escondi lágrimas pelo que perdi.

 

                         Fui guardador de estrelas que contei

                 Nas noites quentes em que não dormi.

                   Guardei os desgostos que calei

                   E a dor pelos dias felizes que esqueci.

 

                   Fui memória de histórias que inventei

                   Autor de poemas, que não escrevi.

                   Fui quase tudo o que não esperei ser

                   Nuvem, miragem e em tudo me perdi.

 

                         Sou lembrança do passado, do presente

                       Andarilho pelos caminhos que percorri

                         Cerro os punhos pela dor pungente

                       Que me dilacerou, mas a que não fugi.

 

                        Fui o princípio, o meio…… e o fim

                      Filho do sol e da lua, nascido da terra

                        Feito de um pó fino que o ventou vai levar

                      Partirei, procurando árvore para descansar.

A luz do dia traz força para o caminho. Teimo em viver, o mundo não acabara naquela noite. E com os passos incertos e as palavras gastas vou continuar a escrever histórias. Serão de Amor, Angústia, Raiva e Dor. Afinal histórias da vida.

 

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