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barba cabelo e gemidos

barba cabelo e gemidos

AMOR _ (CRESPÚCULO)

                                   A  M  O  R

 

                           

                A CASA NA COLINA

 

 

3 – DESILUSÃO E FASCÍNIO

 

Quando o sol se escondeu, Luís, cheio de entusiasmo, decidiu ir ver a nova casa. Procurou a chave, abriu a porta e sentiu uma estranha sensação. Fui uma sensação estranha e nem percebera o porquê, mas ao entrar numa casa fechada e escura sentiu um arrepio e, rapidamente, voltou ao ponto de partida. Como sentira o cheiro dum ambiente estranho, não conseguiu controlar as náuseas que, como já lhe acontecera, seriam o prenúncio de muitas convulsões para conseguir expelir um líquido amarelo que lhe feria a garganta.

Abanou a cabeça, passara do entusiasmo ao desânimo. Aquilo não era uma casa, não podia ser a sua casa. 

Ficou sentado debaixo da árvore, respirou o ar puro, calou os vómitos e chorou. Perdido e sem força para lutar. Fechou os olhos e sentiu uma lágrima que se soltava. Mais uma esperança perdida. O vento era frio para quem não tinha grandes resistências. Escolheu roupa que transportava num saco, embrulhou-se e deu descanso a um corpo cansado e dorido. Acordou ao raiar da aurora. Sentiu um cheiro que lhe provocara os vómitos. Precisava lavar-se. Olhou em redor, a casa não era solução, mas no silêncio da manhã ouviu o chilrear dos pássaros. Seguiu o seu voo e ouviu como um chamamento, o som de água a correr. Foi ver e brotando de umas rochas na traseira da casa, encontrou um fio de água e um pequeno tanque. Nem hesitou, despiu-se, saltou para dentro e esfregou-se com toda a força. Só aguentou uns breves minutos, a água estava fria, saiu e correu à procura do sol. Foi no momento em que ouviu o ruído da motoreta que parava junto da sua bagagem. Olhou, não era o Manuel que a conduzia, mas sim uma mulher, ainda jovem, que se ria da figura que ele fazia, tapando a sua nudez enquanto tremia de frio.  

- Não fique envergonhado, já vi homens nus. Mas para ficar mais à vontade eu vou dar uma volta e volto já. Luís vestiu-se, com roupa lavada e sentou-se no lugar de eleição, debaixo da árvore, e quando a mulher voltou já tinha recuperado da situação insólita que acabara de viver. Todavia os seus olhos não escondiam a tristeza e a desilusão que a casa lhe causara. E eram tão marcados que a mulher parou na sua frente e disse com voz triste:

-“ O meu nome é Joana e sou a irmã do Manuel. Ele contou-me que a casa da colina já tinha um novo proprietário e eu quis ver, com os meus olhos a pessoa que escolheu aqui viver.

Percebo que o meu irmão que está sempre muito ocupado, talvez não o tenha avisado do que iria encontrar, logo que abrisse a porta.

Sinto que sofreu uma desilusão, certamente não esperava encontrar uma casa em ruínas, mas eu digo-lhe que a primeira impressão é para esquecer. A casa precisa de ser recuperada depois de anos de abandono, mas acredite, se há casas com alma eu dir-lhe-ei, esta é uma delas. Não acredito que o senhor seja homem para desistir. Pelo menos, dê oportunidade que o ocaso que o fez escolher este lugar, tão belo, tenha algum significado para si. O senhor foi atraído por forças que, talvez não tenha ainda reconhecido, mas que, pode crer, existem na natureza e na alma de cada um. Arrisco-me a prever que esta casa irá ter um papel na sua vida. Será um papel de felicidade ou de desesperança, isso caberá ao seu coração ir construindo.

Luís ouvindo as palavras ditas com um sentimento tão profundo fizeram com que ele, um náufrago da vida, esquecesse a doença e ousasse acreditar que a poesia que sentira nas palavras daquela mulher, que via pela primeira vez, poderiam ser o renascer da esperança. E ele precisava tanto de acreditar.

 

Olhou de frente para Joana e, falou:

            -“ Joana, perceba que um homem desiludido, doente, e carente de paz interior como eu, não podia assistir ao desmoronar dum sonho. Mas acredito que os sentimentos podem fazer renascer a esperança, e por isso me rendo. Vou cumprir o destino que aqui me trouxe, nesta colina, nesta casa, olhando o infinito que adivinho para lá daqueles montes. Já agora não me chama de senhor, o meu nome é Luís. Digo que já decidi ficar, não conseguirei viver na casa, preciso de recuperar das emoções e esperar os arranjos que terei de mandar fazer. Até lá, ficarei debaixo daquela árvore que já me estendeu o seu braço protetor.

-“ Aceite a minha sugestão, respondeu Joana, eu vivo na aldeia, ocupo a casa que os meus Pais me deixaram, tenho o primeiro andar livre e ainda um pequeno terraço. Também tenho umas vistas bonitas e o terraço pode servir para os seus exercícios matinais, já que não há casas mais altas na cercania. Ninguém irá reparar se está nu ou em cuecas.

Pode ficar o tempo que quiser até à conclusão das obras, na sua nova casa. Quando o convidei não pensei em fazer negócio. Eu apenas quero ajudá-lo.”

-“Mas o seu irmão e a vizinhança acharão bem que você partilhe a sua casa com um homem, para mais desconhecido, retorquiu Luís?”

“- Com isso não se importe, sou maior e vacinada e faço a vida de acordo com a minha maneira de ser e não tenho de prestar contas a ninguém. Sou livre como o vento. Respeito as pessoas, ajudo os que precisam mas mantenho sempre alguma distância que não é preconceito, mas apenas a defesa dos sentimentos e emoções que são apenas meus e não costumo partilhar. O meu irmão, único familiar próximo, entendeu a minha vontade. Também ele tem casa própria, terá amigas, nunca me disse que havia assumido algum compromisso duradouro, mas é a vida dele. Temos de trabalhar juntos, na época da sementeira e da colheita. Mas o trabalho é tanto, que nem dá para conversarmos.

Mas, antes de se decidir, quero dizer-lhe que o que lhe proponho é apenas espaço físico, alguma companhia mas a Joana não estará incluída no negócio. “

AMOR (CRESPÚCULO)

 

2 – PARAÍSO

Acordou sentindo a brisa suave da tarde que se aproximava. O silêncio, a calma, eram o remédio que procurava para as suas dores. Respirou fundo, bebeu o ar puro e sentiu que o Paraíso seria ali, naquela aldeia perdida na imensidão do seu Alentejo.

Olhou em redor guiado pelo barulho de uma porta que, mesmo a seu lado, se abria.

Um homem sai, coloca uma proteção de fitas coloridas contra as moscas e só depois se dirigiu ao desconhecido sentado na soleira na frente da casa, dizendo:

“-Vossemecê parece perdido. Posso ajudar? Talvez precise de alguma coisa do meu estabelecimento? São horas de abertura, é só entrar e escolher, porque aqui não falta nada, e o que não houver hoje, posso garantir que será entregue amanhã à tarde!”

Aliviado por encontrar alguém, Luís esboçou um sorriso e respondeu:

“- Sabe, eu estava era admirado por não ver ninguém. Até pensava que me tinha enganado no destino. Ainda não sei do que irei precisar. Primeiro terei de chegar a casa, arrumar as minhas coisas ver então o que me faz falta.”

Então o senhor vem para ficar e presumo na casa da colina que ouvi dizer ter sido vendida?”

“- Sim e fui eu quem a comprou. Queria um lugar isolado, onde pudesse encher os pulmões de ar puro e beber a paisagem. Não encontrei nada melhor e por isso aqui estou, contente, mas embaraçado com tanta bagagem que não sei como transportar.”

O meu nome é Luís “

Meu amigo,lá isolada a sua casa é. Respirar ar puro e admirar a paisagem também lhe vai ser fácil, mas a casa está desabitada há muito tempo, poderá encontrar algumas limitações ao conforto em que terá vivido. Nada, porém, que não possa ser resolvido. Mas, acredite o que lhe digo, os primeiros tempos não serão fáceis. O acesso também não o será, pois se bem me recordo, existe apenas um carreiro, que deve estar em mau estado, e que era utilizado, por uma carrocita pequena, puxada por um burro, quase tão velho como o casal que lá habitava, e lá morreu. Não o quero desmoralizar, o sítio é muito bonito, de verdade, mas também vai encontrar dificuldades. Por exemplo e para já, não terá acesso ao abastecimento de água, à distribuição de energia elétrica e para ajudar não existe rede para o funcionamento de telemóveis. O abastecimento de água será o menor dos males. Tem, ao que eu me lembro, uma nascente de água mesmo perto da casa, com um pequeno tanque de reserva. E o resto terá de se habituar. Porque garantido, só terá a calmaria dos dias no Alentejo e a solidão como companheira. Eu poderei ajudar, passarei para o visitar, dia sim, dia não. Pode passear e deixar escrito num papel, pregado na porta, o que vai precisar.

Agora e para o ajudar a transportar as suas coisas, eu resolvo a questão utilizando a minha motoreta com atrelado. Mas terá de esperar mais um pouco, até que o empregado que me ajuda na loja, se apresente ao trabalho.”

“- Oh meu amigo, nem imagina o meu alívio. Por isso esperarei o tempo que for preciso. Na verdade, talvez eu tenha sido imprudente ao escolher a casa, como o refúgio que precisava para descansar, mas agora não me resta outra alternativa que não seja a de contar com a sua amabilidade e simpatia. Por isso lhe agradeço e esperarei o tempo que for necessário.”

- Então eu já volto. Já agora apresento-me. “O meu nome é Manuel Carvalho e aqui nas redondezas toda a gente me conhece pois, além de comerciante, sou também o Presidente da Junta da Freguesia.”

Passou algum tempo, mas cansado como estava nem isso era importante. O sol começara a cair quando Luís ouviu o ruído estridente de um motor. Era o Manuel Carvalho que se aproximava, montado na motoreta e puxando um pequeno atrelado.

“- Vamos embora amigo, vamos lá subir a encosta. A casa na colina espera por si.”

Foi uma subida difícil. Como Manuel previra, o caminho estava quase intransitável o que lhe exigiu perícia, acelerações do motor e em alguns lugares foi necessário recorrer à força de braços para mover a composição. Manuel era um homem ainda jovem, criado no campo e, apesar do suor que lhe escorria pelas fontes não parou de empurrar. Luís também procurou ajudar, mas entre tropeções e escorregadelas a sua ajuda foi apenas cheia de vontade, porque força não tinha. Mas conseguiram chegar ao terreiro em frente da casa. Manuel ajudou a descarregar a bagagem e despediu-se:

            “ Vou ter de regressar a tempo de fechar a loja e seguir para uma reunião na Junta. Não se esqueça que pode, sempre, contar comigo e não esqueça, a casa não está preparada.

            “- Não se prenda comigo amigo Manuel. Vou descansar olhando a paisagem que, tenho a certeza, me irá deslumbrar.

Luís assistiu à partida do Manuel. Estava só, olhou em redor, viu uma grande árvore, uma azinheira que desafiava o sol. É lindo, pensou, enquanto sentado no chão admirava o entardecer.

Ajeitou-se, acendendo um cigarro que saboreou com prazer e percebeu, que só aquele momento, admirando os campos que se estendiam por pequenos montes e vales até onde a vista alcançava, já teria pago o cansaço da sua aventura.

CRESPUCULO

                                             AMOR

Duvida da luz dos astros,

De que o sol tenha calor,

Duvida até da verdade,

Mas confia em meu amor.

William Shakespeare

                                                  

 

                            A CASA NA COLINA

 

1 – A VIAGEM

 

A camioneta da carreira, embora com significativo atraso, acabara de estacionar no largo da pequena povoação perdida no Baixo Alentejo.

Saíram dois miúdos apressados, as sacolas ao ombro eram o sinal de que regressavam da escola. Iriam brincar? Quem sabe, pensava o passageiro que viajara deste Lisboa, na procura do fim do caminho.

O desconhecido, homem acima dos quarenta anos, foi o último a abandonar a camioneta, ajudando o motorista a retirar as suas coisas, bastantes, que quase enchiam o porta-bagagens da pequena e já cansada, camioneta.

O motorista esboçou um sorriso de agradecimento e arrancou. Foi um instante de alguma agitação mas depressa o largo voltou a ficar calmo e vazio.

No meio, sem saber bem o que fazer, ficara o passageiro desconhecido, um homem da cidade, que se sentia perdido, rodeado por malas e sacos que nem sabia como e para onde transportar.

Sentou-se na mala, puxou dum cigarro e deleitou-se com o fumo que inspirava. Estava só e cansado. Apesar de ter tentado deixar o vício do tabaco, voltara a ele, pois reconhecera que deixar de fumar seria abandonar um dos últimos prazeres que lhe restariam até ao fim da vida.

Olhou para todos os lados, não viu ninguém. A praça era um quadrado de meia dúzia de casas em cada lado, rodeando um pequeno canteiro onde uma oliveira desafiava o tempo. As casas eram, na sua maioria térreas, uma porta duas janelas, todas caiadas de branco com o rodapé e as molduras da porta e das janelas, pintadas de azul.

Finalmente olhou com mais atenção para uma casa maior que quase completava um dos lados da praça. Era uma casa alta, mais de dois andares e à sua volta um banco corrido ao longo da parede, protegido do sol pela sombra de algumas videiras.

Ali estava a primeira coisa boa que aquele dia lhe trouxera, um lugar à sombra e um banco para se sentar.

Começou a carregar as suas coisas e depois de três ou quatro idas conseguiu terminar a tarefa e sentar-se no banco, encerrar os olhos e recuperar do cansaço. Já o sabia, mas aquele pequeno esforço mostrara a sua debilidade. O corpo já não lhe respondia como antigamente, mais o pior cansaço era a sua luta entre a mente que resistia e a desesperança, que pouco a pouco ia vencendo.

Estava um dia quente, nem uma leve aragem lhe trazia algum alívio. Talvez tivesse subestimado o calor da planície alentejana quando decidira procurar um lugar isolado e calmo, onde pudesse fazer uma vida tranquila, e eventualmente, acabar o livro que prometera a si próprio escrever, sem conseguir dar corpo à história que havia imaginado. Acabar de escrever um livro sorriu, pois aquele fora o pretexto para explicar aos amigos a sua decisão de mudar de vida.

Porém a realidade era bem diferente. Bem que gostaria de ser capaz de escrever um livro, ou dois ou três, mais teria tempo ou talento para tal empreitada?

É que o diagnóstico médico, feito após uma série de exames, confirmava que ele sofria de uma doença incurável e já em estado avançado, pelo que a esperança de vida não seria muito longa. O médico que lhe deu a notícia fora muito direto. Dissera-lhe, palavras que nunca mais esqueceria:

 

            “- Meu caro, eu podia arranjar promessas para o tratamento da sua doença. Mas eu não acredito em milagres, embora já tenha sido surpreendido com situações inexplicáveis. De acordo com a minha experiência, a sua doença, cujo nome me dispenso de dizer, não tem cura. Os cuidados que o hospital lhe poderá assegurar serão, apenas, cuidados paliativos. Pense se opta por alimentar uma ilusão ou se prefere enfrentar o caminho, vivendo cada dia como sendo o último e aproveitar para fazer alguma coisa que lhe dê prazer. Eu já lhe disse que devia deixar de fumar, é verdade o fumo faz-lhe mal, mas não será também importante o alívio que sente quando inspira o fumo do cigarro? Mas deixo à sua vontade. Marco-lhe uma consulta para seis meses e leva medicamentação que deverá tomar diariamente e alguns para enfrentar dias mais difíceis. Tem o meu telefone, utilize-o sempre que precisar de mim. Por favor entenda o que eu lhe disse como o amigo e não como médico.”

 

E foi assim que Luís Freitas, quarenta e oito anos de idade, divorciado sem filhos, carregando a doença sem cura, se confrontou com a realidade. Estava só.

 

Cansado da profissão que escolhera, trabalhava num serviço público sem prazer e sem esperança de futuro, não demorou muito a escolher. O passado ficaria esquecido na vida sem grandes memórias, o presente seria o caminho do regresso ao Alentejo onde nascera e o futuro, bem o futuro seria vivido dia a dia. Sem preocupações, sem esperanças, mas com a convicção de que seria ele a mandar no resto da sua vida.

Com base no relatório médico conseguira a reforma antecipada, vendera o seu ativo, apenas um apartamento na periferia da grande cidade, encontrou uma garagem que alugou para guardar os livros, mais algumas recordações de família, móveis que herdara dos Pais e só por isso lhe eram importantes e preparou a bagagem para a viagem que tinha decidido fazer. Num jornal vira um anúncio de venda de uma casa no Alentejo, a poucos quilómetros de Beja. Gostou, o preço não era exagerado e as suas finanças permitiam-lhe comprar a casa e ainda lhe sobrava algum para outros gastos.

Guardara para si o seu estado de saúde e mentiu para que não pudesse ver no rosto dos poucos amigos, a surpresa e as manifestações de pesar, acompanhadas pelas palavras de circunstância. O pretexto era o cansaço, a solidão e o apelo que confessara sentir para escrever o livro.

A ideia de escrever, até a ele lhe pareceu boa, por isso na bagagem juntara o pequeno computador portátil onde escrevera e guardara, pensamentos, angústias e o medo de não conseguir resistir à ruína, de um corpo já doente e cansado. Precisava de mudar de vida. Esquecer a televisão, a leitura dos jornais, os comentários políticos e do futebol, as intrigas entre colegas, as traições, a eterna disputa entre os condóminos e procurar um lugar onde pudesse conviver com o sol, ouvir o vento e o canto dos pássaros, a água das fontes e regressar às origens. No Alentejo nascera e lá procuraria as memórias perdidas.

 

...

CRESPUCULO

A luz da manhã demora a romper as trevas. Sinto-me perdido, foi um sono entre o riso e o choro. Afinal tudo o que sonhei e vivi.

Nasci no verão de 42, um ano difícil, duro, como todos eles, naquele tempo de guerra. Nasci numa casa do Alentejo, de gente pobre, onde o pão era o fruto da terra regada pelo suor da família. Apesar do trabalho, esses dias deixaram recordações que me acompanharam.

A guerra colonial foi, também, uma escola para a vida. Nela aprendi a respeitar os direitos dos mais fracos e a assumir responsabilidades que nunca enjeitei. Era isso que tinha prometido aos soldados que comigo atravessaram a selva de África. Todos voltaram às suas terras. Eu aprendi mais uma lição, que guardei. Afinal, eu:

                   Fui guardador dos sonhos, que sonhei

                           E dos momentos que vivi.

                   Guardei memória do que amei

                   Escondi lágrimas pelo que perdi.

 

                         Fui guardador de estrelas que contei

                 Nas noites quentes em que não dormi.

                   Guardei os desgostos que calei

                   E a dor pelos dias felizes que esqueci.

 

                   Fui memória de histórias que inventei

                   Autor de poemas, que não escrevi.

                   Fui quase tudo o que não esperei ser

                   Nuvem, miragem e em tudo me perdi.

 

                         Sou lembrança do passado, do presente

                       Andarilho pelos caminhos que percorri

                         Cerro os punhos pela dor pungente

                       Que me dilacerou, mas a que não fugi.

 

                        Fui o princípio, o meio…… e o fim

                      Filho do sol e da lua, nascido da terra

                        Feito de um pó fino que o ventou vai levar

                      Partirei, procurando árvore para descansar.

A luz do dia traz força para o caminho. Teimo em viver, o mundo não acabara naquela noite. E com os passos incertos e as palavras gastas vou continuar a escrever histórias. Serão de Amor, Angústia, Raiva e Dor. Afinal histórias da vida.

 

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